Muito Poder, Pouco Ensino: O perigo de confundir dons espirituais com maturidade cristã

Muito Poder, Pouco Ensino: O perigo de confundir dons espirituais com maturidade cristã

Uma das maiores belezas do Movimento Pentecostal é a crença de que os dons do Espírito Santo continuam disponíveis e atuantes na Igreja de hoje. No entanto, a nossa vivência diária revela um desafio preocupante: muitas pessoas ainda não sabem lidar com esses recursos divinos, confundindo manifestação espiritual com maturidade cristã.

Na obra “Dons Espirituais e Ministeriais” (CPAD), o autor faz uma profunda e necessária reflexão sobre a finalidade dos dons e o perigo do mau uso dessas ferramentas quando falta o ensino bíblico. Ele relata:

A começar do batismo com o Espírito Santo, há uma confusão de ideias sobre sua natureza, a forma de receber e, mais ainda, quanto à sua finalidade. Há quem pense que o cristão é batizado apenas para falar em línguas. Quando, na verdade, o falar em línguas é, em princípio, o sinal da experiência, sendo o batismo uma bênção distinta concedida para que o cristão tenha poder para testemunhar com eficácia (Atos 1:8). […] Se o batismo e o uso dos dons não forem bem compreendidos no seio da igreja local, certamente haverá a manifestação estranha de comportamentos inadequados.

Em certa ocasião, este escritor foi pregar numa igreja no interior de um Estado brasileiro. O templo estava lotado. Mas, na hora da pregação, ficou inviável discorrer sobre o tema, porque os irmãos, quase sem parar, falavam em línguas o tempo todo. Era uma comunidade avivada, mas pareceu claro que havia faltado ensino. Eles não o faziam para prejudicar a mensagem, mas estavam muito mais interessados em mostrar que eram batizados do que em entender o que lhes seria transmitido. Tivemos que encerrar a prédica mais cedo. A falta de ensino dá lugar a meninices no meio da congregação.

A igreja de Corinto, na Grécia, possuía praticamente todos os dons espirituais (1 Coríntios 1:7). Mas o apóstolo Paulo fez uma referência nada desejável àqueles irmãos: ‘E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo’ (1 Coríntios 3:1). Um verdadeiro paradoxo! Uns falavam línguas, outros profetizavam, outros tinham dons de curas, mas Paulo os avalia como carnais.

A resposta foi dada logo a seguir: ‘havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais?’ (1 Coríntios 3:3). Não poderia haver igreja mais espiritual do que aquela, mas, infelizmente, não poderia haver crentes mais carnais. Imaginavam que possuir um dom era motivo para considerar-se superior aos outros. Havia grupos, ‘panelinhas’ e partidários de Apolo, de Paulo e até ‘de Cristo’ — estes últimos, os mais carnais, do tipo que diz hoje: ‘Eu não dou satisfação a ninguém, não obedeço a homem, só a Cristo’, rejeitando a correção pastoral frente aos excessos.

A Importância de Sentar para Aprender O relato acima nos traz um alerta contundente. Uma igreja saudável não é apenas aquela que fala em línguas ou profetiza, mas aquela que se submete ao ensino da Palavra e à ordem do culto. O Espírito Santo nos concede dons para edificar a comunidade, e não para promovermos a nossa própria espiritualidade. Onde há maturidade, há respeito, unidade e submissão à liderança estabelecida por Deus.

Você tem crescido na Graça e no Conhecimento? A melhor forma de não cairmos nas “meninices” de Corinto é através do estudo da Palavra. Venha aprofundar o seu entendimento sobre a verdadeira espiritualidade participando das nossas aulas da Escola Bíblica Dominical e dos nossos Cultos de Ensino! Esperamos por você.

0 Comments

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!