Na nossa caminhada cristã e no estudo dos dons espirituais, é muito comum nos depararmos com uma armadilha perigosa: a de achar que o uso de um dom é um selo de aprovação irrestrita ou um atestado de superioridade espiritual.
Para nos aprofundarmos nessa questão, o renomado teólogo Stanley M. Horton, em sua obra “A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento”, nos traz um esclarecimento cirúrgico sobre a verdadeira natureza da graça e o perigo de confundirmos “unção” com perfeição. Ele escreve:
“Os dons espirituais, que são pela graça, mediante a fé, encontram-se na palavra grega mais usada para descrevê-los: ‘charismata’, ‘dons livre e graciosamente concedidos’, palavra esta que se deriva de ‘charis’, graça, o imerecido favor divino. Os carismas são dons que recebemos sem os merecermos. Dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de quem os recebeu.
Uma das falácias que frequentemente engana as pessoas é a ideia de que, se Deus abençoa ou usa alguém, isso significa que Ele aprova tudo o que a pessoa faz ou ensina. Mesmo quando parece haver uma ‘unção’, não há garantia disso. Quando Apolo chegou a Éfeso pela primeira vez, não somente era eloquente em sua pregação; era também ‘fervoroso de espírito’. Tinha o fogo. Mas Priscila e Áquila perceberam que faltava algo. Logo, o levaram (provavelmente, para casa, a fim de participar de uma refeição), e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus (Atos 18:25,26).
Era, pois, o caminho de Deus a respeito dos dons espirituais que Paulo, como um pai, desejava explicar com mais exatidão aos coríntios. A esses dons ele dá o nome de ‘espirituais’ em 1 Coríntios 12:1 (…). A palavra, por si mesma, inclui algo dirigido pelo Espírito Santo.”
A lição de Apolo para nós hoje A reflexão de Horton é um verdadeiro divisor de águas. O exemplo de Apolo nos ensina que alguém pode estar cheio do fogo do Espírito, ser incrivelmente usado na pregação, e ainda assim precisar de instrução, correção e discipulado. Apolo teve a humildade de sentar à mesa com Priscila e Áquila para aprender “com mais exatidão” o caminho de Deus.
Os dons espirituais revelam o quão bom Deus é, não o quão bons nós somos. Que possamos buscar os dons com zelo, mas mantendo sempre o coração ensinável. Ter carisma não substitui ter caráter, e ser usado por Deus nunca nos isentará da necessidade de sentarmos para aprender.
O que você achou dessa reflexão? Você já confundiu o fato de uma pessoa ser muito usada por Deus com ela ser dona de toda a verdade? Deixe o seu comentário abaixo e venha participar da nossa Escola Bíblica Dominical para continuarmos aprendendo juntos, com exatidão, a Palavra de Deus!
0 Comments