É o senhor que nos sustenta

É o senhor que nos sustenta

Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim.
Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. (Selá.)
Porém tu, Senhor, és um escudo para mim, a minha glória, e o que exalta a minha cabeça.
Com a minha voz clamei ao Senhor, e ouviu-me desde o seu santo monte. (Selá.)
Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou.
Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam.
Levanta-te, Senhor; salva-me, Deus meu; pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes aos ímpios.
A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção. (Selá.)

Salmos 3:1-8

Glória a Deus, meus irmãos! A paz do Senhor Jesus! Amém! Aqueles que se encontram felizes com Jesus digam “Glória a Deus”! Para mim, é um privilégio e uma satisfação muito grande ter a honraria de ministrar no aniversário de 25 anos desta Assembleia de Deus. Quero, desde já, agradecer ao Pastor Emanuel pela confiança depositada. Que Deus abençoe o senhor pela sábia direção desta igreja, bem como a todo o corpo de membros e aos irmãos que a visitam. Vocês estão realizando uma grande obra. Agradeço também ao Evangelista Tiago, um homem de Deus que nos fez o convite, e ao irmão João de Deus pela responsabilidade confiada. Para quem não me conhece, meu nome é Diego Daniel; viemos do bairro de Santa Luzia e é um privilégio estar nesta casa juntamente com o meu pastor, que também é meu pai, e com a cantora Andreia.

Aos que têm a sua Bíblia, por favor, abram no Salmo de número 3. A Palavra de Deus diz: “Senhor, como se têm multiplicado os meus adversários! São muitos os que se levantam contra mim. Muitos dizem da minha alma: Não há salvação para ele em Deus. Porém tu, Senhor, és o escudo para mim, a minha glória e o que exalta a minha cabeça. Com a minha voz clamo ao Senhor, e Ele me ouve desde o seu santo monte. Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou. Não temerei dez milhares de pessoas que se puseram contra mim e me cercam. Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu! Pois feriste a todos os meus inimigos nos queixos; quebraste os dentes dos ímpios. A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção”.

O livro de Salmos é composto por cânticos, louvores e poesias. No hebraico, a palavra para Salmos é Tehilim, que fala de louvores; no grego, é Psalmoi, que fala de cânticos. É um livro muito lindo, pois, além de compor louvores, ele expressa os profundos sentimentos humanos. Ora alguém escreve dizendo que está feliz, ora escreve que está triste. Observamos em Salmos o único livro da Bíblia em que o homem expressa tão vivamente os seus sentimentos. Davi é quem tem a maior autoria de salmos, cerca de 73; os filhos de Corá escreveram cerca de 10; Asafe, cerca de 12, além de outros salmos de autoria desconhecida. O Salmo 3, que tomamos por base hoje, tem como pano de fundo histórico o capítulo 15 do Segundo Livro de Samuel.

O cenário descrito nesse texto é de estabilidade e organização, algo que Israel nunca havia vivido antes, pois não havia mais guerras ou pelejas. No entanto, esse tempo sem lutas trouxe um grande comodismo ao líder chamado Davi. O maior erro de Davi foi permitir que essa estabilidade o fizesse deixar de lutar as suas batalhas. Ele deixou de pegar as ferramentas de guerra e de liderar o seu exército em combate. Davi agora se encontra acomodado no palácio, e quem peleja por ele é o seu exército, sob a liderança de Joabe.

Em certo momento, a Bíblia relata a história de Bate-Seba, esposa de Urias. Urias era soldado da segunda hierarquia do exército de Israel, a posição em que ficavam os líderes que orientavam e protegiam os soldados mais jovens e inexperientes, que ficavam de peito aberto na frente de batalha. Enquanto Urias estava em combate, Davi estava no alto do seu palácio e avistou a mulher tomando banho. Ele desejou para si e buscou aquilo que não era seu. O problema de Davi não foi apenas deixar de ir às batalhas; da mesma forma, o problema do crente muitas vezes não é apenas a fraqueza que bate, mas sim o que ele faz enquanto não está orando ou jejuando. O verdadeiro erro de Davi foi o que ele fez no tempo em que não estava no campo de batalha. As lutas diárias que deixamos de travar tornam-se um sinal de fraqueza para o adversário vir nos atingir.

Enquanto Urias e o exército pelejavam, Davi mandou chamar Bate-Seba e deitou-se com ela. Pouco tempo depois, o profeta Natã entrou no palácio e contou a Davi uma história sobre um homem rico que tinha muitas ovelhas e um homem pobre que tinha apenas uma, mas o homem rico tomou a única ovelhinha do pobre para si. Ao ouvir isso, Davi respondeu que esse homem deveria morrer. O profeta então apontou para ele e disse: “Este homem é você!”. O grande mal de Davi foi dar uma rasteira e agir pelas costas de um homem que estava lutando as batalhas que deveriam ser do próprio rei. Ele desejou o que pertencia a alguém que estava arriscando a vida e morrendo em seu lugar.

Para tentar encobrir o seu erro e a gravidez de Bate-Seba, Davi mandou chamar Urias e o instruiu a ir para casa deitar-se com a sua mulher. A intenção era que o filho fosse considerado de Urias. Mas Urias se recusou, declarando que não poderia ter o conforto de comer, beber e dormir em casa enquanto a Arca, Israel e o povo enfrentavam a guerra. A atitude de Urias demonstrou que ele era um homem focado na peleja, e quem é de batalha não abandona a guerra pelo conforto. Davi tentou novamente, convidando-o para um banquete e embriagando-o, oferecendo honrarias que, na verdade, mascaravam um profundo desrespeito. Contudo, Urias manteve sua posição de não celebrar enquanto seus irmãos passavam necessidades no campo de batalha. Isso nos ensina que, quando deixamos de buscar a Deus, de orar e de jejuar nos tempos de paz, o adversário nos observa e nos vê como presas fáceis. Um crente que não ora e não jejua é presa fácil para o diabo. Mas esta noite, Deus manda dizer que é necessário voltar a lutar, voltar a se revestir da armadura de Deus e voltar para a peleja espiritual!

O erro de Davi se agravou. Ele enviou Urias de volta com uma carta a Joabe, ordenando que Urias fosse colocado na linha de frente mais perigosa para que fosse morto. Além de tomar o que não era dele, Davi providenciou a morte do legítimo dono. Urias morre na guerra, e em sequência morre também Eliã, que era sogro de Urias e avô de Bate-Seba. Com a morte de Urias, Bate-Seba tornou-se esposa de Davi. O profeta retornou e declarou que a espada não se apartaria da casa de Davi por causa desse pecado. A criança nasceu, mas logo adoeceu. Enquanto a criança sofria, Davi se humilhou, rasgou suas vestes, jejuou e deixou o trono vazio, o que na cultura judaica era sinal de desordem. Mas, a partir do momento em que a criança faleceu, Davi se levantou, lavou-se e voltou a se alimentar e a adorar. Isso nos mostra que enquanto o fruto do pecado estiver pesando em nossa mente, não há alegria, mas quando esse fruto morre, volta a vontade de buscar a Deus e de fazer o que deixamos de fazer.

Apesar de seu arrependimento, a espada não se apartou de sua casa. O tempo passou e seus filhos cresceram: Amnom violentou a própria meia-irmã, Tamar; e Absalão, irmão de Tamar, vingou-se matando Amnom. Absalão precisou fugir e ficou escondido por três anos. Enquanto isso, do lado de Davi, havia um conselheiro chamado Aitofel, seu braço direito. Aitofel era pai de Eliã e avô de Bate-Seba, e nutria ódio de Davi pela morte de seu filho e de Urias. Por três anos, Aitofel tramou contra o rei, precisando apenas de um fantoche para executar seu plano, e Absalão foi o escolhido. O inimigo que nos atinge frequentemente é aquele que nos conhece de perto, que sabe nossas fraquezas e nossa rotina.

Absalão foi trazido de volta, mas não pôde subir ao palácio, ficando à porta. Ali, ele começou a mentir para as pessoas que vinham buscar conselhos do rei, dizendo que o rei não os atenderia, e com falsas promessas começou a roubar o coração do povo. Ele entendeu que, para enfraquecer um líder, basta roubar as suas ovelhas. Quando Davi soube dessa traição, sendo um homem forte de peleja, ele poderia ter lutado, mas preferiu não bater boca com gente imatura. Com gente imatura não se bate boca, apenas se ora; e Davi confiava que Deus o restituiria. É por isso que no Salmo 3 ele lamenta: “Senhor, como têm se multiplicado os meus adversários!”. Os adversários que se multiplicaram não eram inimigos distantes, mas aqueles que sentavam à sua mesa e se alimentavam com ele. A traição de um amigo dói muito mais do que o ataque de um inimigo declarado, assim como foi com José, que foi traído e vendido por sua própria família.

Absalão então tomou a cadeira do rei, e Davi seguiu para o deserto. Davi foi para o deserto porque precisava ser moldado novamente, retornar a ser o homem humilde que era no início de sua caminhada. O deserto é o lugar onde a pessoa entra com soberba e sai com humildade. O deserto não é lugar para se debater ou fazer postagens em redes sociais, é momento de entrar no quarto, orar e louvar a Deus. Absalão sentou na cadeira, mas a Bíblia nunca o chamou de rei. O grande erro de Absalão foi querer assumir cargos, posições e cadeiras sem a liberação, a vocação e a preparação de Deus. Horrenda coisa é querer casar, assumir ministérios ou sentar em tronos antes da hora certa, sem consultar a Deus. É preferível esperar o tempo de Deus do que se sentar em uma cadeira pela qual não fomos preparados e acabar chorando no futuro.

Absalão conquistou o trono, mas quem continuava sendo o rei ungido era Davi. Cadeira e trono se fabricam em fábrica, mas a unção de Deus não se produz em série, ela não está atrelada apenas a uma cadeira. Por isso Davi pedia para que Deus ungisse sua cabeça com óleo, submetendo-se à liderança do Senhor. Davi foi para o deserto, mas a sua unção foi com ele. Enquanto Absalão pervertia o coração de muitos no palácio, servos leais seguiram Davi até o deserto, provando que amizade e aliança verdadeira não dependem de quem está no poder ou oferecendo riquezas e vantagens. Não é o trono que faz o amigo, mas sim a aliança de homem a homem.

A lição que tiramos é: não queira um trono ou uma cadeira se ainda não chegou o seu tempo. Absalão tentou antecipar o processo, e isso trouxe sua ruína. Devemos deixar que Deus nos prepare, respeitando os processos dele em nossa vida. Como diz o louvor entoado no final: “Eu sou apenas barro, pode me moldar”. Que sejamos como esse barro nas mãos do Senhor, permitindo que Ele nos quebre e nos refaça conforme a Sua vontade, no Seu devido tempo, em nome de Jesus. Graças a Deus.

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